Tudo o que deve saber sobre dentes

O aparecimento dos dentes é um dos temas que mais gera preocupações e dúvidas nos pais. Mas na dentição infantil existem poucas regras rígidas… e muito se resolve com bom senso.

Para os pais de qualquer bebé, muitos são os momentos de satisfação e alegria pelas novidades que o crescimento e desenvolvimento proporcionam. Por experiência própria sei que o aparecimento dos dentes é um dos factos mais esperados e que mais agrada aos pais. Naquele momento é como se o seu filho deixasse de ser bebé. Mas é necessário que a atenção para com os dentes da criança não fique por aqui. Porque o aparecimento do primeiro dente apenas assinala o início de outro tipo de cuidados que se vão estender por toda a vida…
Não é por acaso que o tema dos dentes é um dos mais mencionados nas consultas de rotina de pediatria. É habitualmente algo que preocupa os pais, e sobre o qual têm sempre mais dúvidas do que certezas. Para além disso, no que diz respeito à dentição infantil existem poucas regras rígidas, e muito se resolve com bom senso.


O aparecimento dos primeiros dentes
O primeiro dente aparece, em média, aos seis meses. Habitualmente, os primeiros dentes a aparecer são os incisivos centrais inferiores (os dentes do meio em baixo). Seguem-se os incisivos centrais superiores (os dentes do meio em cima) e depois os incisivos laterais (ao lado dos do meio), também primeiro os superiores e só depois os inferiores. Por volta do primeiro ano de vida, a criança tem em média entre seis a oito dentes. Mais tarde, por volta dos 15 meses, surgem os primeiros molares e até aos 20 meses os caninos. Pouco tempo depois surgem os segundos molares.
A dentição primária, também chamada “de leite” é composta no total por 20 dentes. Esta dentição, no entanto, só está normalmente completa entre os dois anos e meio e os três anos. Pelo contrário, a dentição definitiva inclui trinta e dois dentes e muitas vezes só se completa no adulto com o aparecimento do terceiro molar (o dente “do siso”).
O aparecimento dos dentes segue, habitualmente, sempre a mesma ordem mas com muitas variações. Por exemplo, a altura de aparecimento do primeiro dente não coincide sempre com os seis meses. Em alguns bebés o primeiro dente teima em não aparecer e só surge aos oito, dez ou mesmo depois dos doze meses. O aparecimento dos dentes é muito variável de criança para criança e só começamos a falar de dentição atrasada quando o primeiro dente ainda não apareceu aos 13 meses de idade.
Uma ideia importante que os pais devem ter é a de que o tempo de aparecimento dentário não está correlacionado com quaisquer outras alterações no crescimento ou desenvolvimento. Isto é, o aparecimento dos dentes mais tarde do que o habitual, não significa nada em termos de desenvolvimento físico ou intelectual da criança.


A erupção dentária não é um bicho de sete cabeças
São muitas as histórias que têm os dentes como atores principais. É verdade que a erupção dentária é normalmente acompanhada por uma inflamação da gengiva que pode provocar dores. Isto pode levar o bebé a ficar mais irrequieto, irritável, ou pelo menos a choramingar. Nos casos piores, as noites podem deixar de ser tão calmas como eram habitualmente.
Existem várias formas de aliviar esta dor. A mais usada é a aplicação de frio nas gengivas. Isto é conseguido com brinquedos de borracha que os bebés gostam de morder, e que podem ser colocados no frigorífico. É muito importante que este tipo de brinquedos seja grande e que não haja perigo de o bebé o engolir ou aspirar. Se quiser, pode embeber uma compressa em água fria e aplicá-la diretamente na gengiva do bebé. Existem igualmente alguns medicamentos para aplicação direta na gengiva e que são anestésicos locais. Estes medicamentos são muito eficazes e devem ser usados para alívio quando necessário.
Por fim, nos casos mais resistentes, pode ser necessário o uso de um analgésico dado em xarope ou supositório como o paracetamol ou o ibuprofeno. Comece pelo paracetamol e se este não resultar, use o ibuprofeno. Este último é também anti-inflamatório e pode por isso ser mais eficaz se a inflamação da gengiva for importante. Nunca use aspirina ou derivados e nem pensar em usar produtos que contenham álcool. Igualmente importante, não espere que estas medidas resolvam tudo. Pode ser necessário distrair o bebé. Brincar com ele e distraí-lo pode ser tudo o que é necessário ou, pelo menos, ajudará eficácia das medidas anteriores.
Igualmente durante a erupção dentária é habitual os pais notarem um excesso de salivação que é passageiro. É mais raro o aparecimento de febre, que é, normalmente, baixa e pouco duradoura. Esta febrita desaparece facilmente com o paracetamol e nem chega a incomodar muito o bebé. Por isso, não atribua tudo à erupção dos dentes. Contacte o seu pediatra se a febre for alta ou durar mais de 48 horas. Contacte-o também se o seu bebé, durante a erupção dentária, tiver diarreia, vómitos, estiver muito prostrado ou aparecerem manchas na pele. Nestas situações é importante que a criança seja observada pelo pediatra para que se possam excluir outras causas para essas manifestações.